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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

O Mistério das Musas

As Musas Callíope, Euterpe, Meupômene e Thalia nos jardins do Teatro Amazonas.
Fotos: Evany Nascimento, outubro de 2012.

Quem visita hoje o Teatro Amazonas, o ícone da Belle Époque Manauara, no coração simbólico do Centro Histórico de Manaus, encontra em seus jardins quatro esculturas femininas. São peças em ferro que apresentam uma placa que as identifica como Callíope (Musa da Poesia Épica) e Euterpe (Musa da Música), nos jardins frontais e Melpômene (Musa da Tragédia) e Thalía (Musa da Comédia), nos jardins de fundo do Teatro.

Você sabia que existiam mais esculturas iguais à estas do Teatro?
Durante o período áureo do ciclo da borracha, muitas esculturas foram trazidas da Europa para adornar praças e prédios públicos e privados da capital amazonense. Muitas dessas peças foram transferidas outras simplesmente desapareceram.


Postal A Favorita, provavelmente 1960.
Acervo particular.

Neste postal  de 1960, por exemplo, vemos o traçado da Praça Antônio Bittencourt, com as duas vias da Avenida Eduardo Ribeiro passando ao lado do Monumento à Nossa Senhora da Conceição. Vários bancos na praça, mais as árvores pequenas e os postes de iluminação, dão um tom agradável de cidade pequena. Do lado esquerdo do postal ainda é possível ver um antigo casarão ou palacete, como eram chamados no período da borracha. Este palacete deu lugar a um dos arranha-céus que compõe a paisagem atual do Centro Histórico de Manaus. Além destes detalhes, o que nos interessa para este texto é a figura no canto direto do postal: uma escultura feminina. Mesmo que, vista de costas, ela apresenta semelhança com a escultura que encontramos nos jardins frontais do Teatro Amazonas, denominada de Euterpe, a Musa da Música. A imagem do postal é uma vista do Instituto de Educação – IEA. Mas esta escultura há muito que foi retirada. Quando e pra onde foi? Isso continua um mistério. 

Palácio Rio Negro, Postal 1973.
Acervo particular.

Este outro postal faz parte de um conjunto de mini postais identificados como “Mini sanfona Mercator – Manaus/AM”, de 1973 “by Gráficos Brunner Ltda”, impresso em São Paulo. Nele é possível ver o Palácio Rio Negro em tom de amarelo desbotado e com sinais visíveis de deterioração em toda a extensão da fachada. Também é possível perceber duas outras esculturas no segundo piso da fachada do prédio. Ainda que distantes pode-se perceber que são semelhantes às duas esculturas encontradas nos jardins posteriores do Teatro Amazonas, denominadas de Meupômene, Musa da Tragédia e Thalía, Musa da Comédia.

E o mistério continua. Podemos confiar na imagem de um postal? Se podemos, então onde foram parar essas esculturas? Cabe então uma investigação mais apurada sobre esses descaminhos das três esculturas que vimos nos postais. Um trabalho minucioso que pode trazer muitas surpresas.


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O texto completo pode ser encontrado no slide share:

2 comentários:

  1. São as mesmas estátuas. As musas não existiam antigamente, só passaram a existir após a última restauração do teatro. As 2 estátuas que ficavam na escadaria do IEA e as 2 estátuas que ficavam na parte de cima do Palácio Rio Negro foram removidas para os jardins do Teatro, ganhando o "status" das 4 musas. Se observarmos, elas não tem nada a ver com o que representam (música, poesia, comédia, tragédia)

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    1. Obrigada por seu comentário Andrei. Também penso que tenha acontecido exatamente isso, contudo, não posso afirmar por não ter referências documentais para tanto. Em relação aos atributos das musas, as duas esculturas frontais, que representam a MÚSICA e a POESIA, tem sim elementos que poderiam identificá-las como musas. Quanto às duas da parte posterior do Teatro, TRAGÉDIA e COMÉDIA, concordo com você. Os elementos simbólicos dessas duas esculturas podem representar outras coisas também. Cabe aí uma análise mais detalhada sobre isso. Obrigada por suscitar tais questionamentos. Até a próxima!

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