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Manaus Tricentenária - poema de Padre Nonato Pinheiro

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Três séculos volveram na ampulheta Do tempo, linda urbe rio-negrina, Da civilização flor peregrina Beijando a Selva, pulcra borboleta!... Quisera cores mil numa paleta, O verso de ouro, a rima alabastrina Para esculpir uma obra de arte fina, A cada herói belíssima estatueta! Três centúrias se escoaram, - diz a História! De d´Almada e Ribeiro canto a glória, E de teu fundador, Mota Falcão! És meu berço natal, gloriosa Taba! E o sangue de arrebóis de Ajuricaba Corre em golfadas no meu coração!... 18 de abril de 1969. O autor dedicou o poema a todos os intelectuais que como ele, nasceram em Manaus. Fonte:  http://historiadosamantes.blogspot.com.br/2010/04/pe-nonato-pinheiro.html Pe. Raimundo Nonato Pinheiro. Amazonense de Manaus, onde nasceu a 10 de maio de 1922 e faleceu a 9 de setembro de 1994. Sacerdote, filólogo, jornalista, professor, ensaísta, polemista, foi um extremado defensor do idioma pátrio. Pertenceu, sempre com m...

O Sermão da Selva - Max Carphentier

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O SERMÃO DA SELVA IV Bem-aventurados os que sustam o avanço dos desertos, domando a areia e apascentando as dunas com a flauta inumerável de árvores urgentes que frutificam em paz e as cidades protegem e mitigam de chuva os caminhos de fogo. Bem-aventurados os que socorrem a fauna sacrificada e salvam da extinção cantos indispensáveis, belos saltos de cor, imponências felinas e todas as claras provisões de ternura animal que a magnífica fonte espalhara na selva. Bem-aventuradas as mãos que multiplicam o verde e os verdes movimentos do caule erguendo-se da terra, e os longos círculos de sonho em que a flor se transfigura, em que o fruto se entrega e em que as folhas resistem na úmida e dadivosa sinergia. Bem-aventurados os que cultivam e os que repartem as lendas, filhas da solidão dos remos peregrinos, das sombras que de noite andam de medo em medo as redes embalando à luz das lamparinas. Porque lenda é mensagem, e a selva sempre soube que, além da alma e maté...