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sábado, 13 de outubro de 2012

5 minutos - José de Alencar




Este livro me chegou juntamente com outros, que me foram doados para encaminhar ao acervo do ECAE - Espaço Cidadão de Arte e Educação (biblioteca onde trabalhei). Desarrumando a caixa de livros para verificar de que tipo de literatura se tratava, me deparei com ele e logo lembrei de um dos adolescentes da instituição que me falou certa vez, que estava lendo todas as obras do José de Alencar, e que havia lido mais uma vez 5 minutos (chegando a quase 10 vezes que voltava a essa leitura). 


CINCO MINUTOS
José de Alencar
São Paulo: 1999.
76 páginas
Fiquei intrigada com aquele interesse em retornar à mesma obra, e me senti limitada por ainda não ter lido esse romance que ele demonstrava ter gostado tanto. E naquele dia, finalmente, furtando um tempo de trabalho, resolvi ler. Sorri ao pegar o livro, lembrei do Rubem Alves. É uma edição de Livro do Professor, vem com questões de roteiro de leitura respondidas e começa com um texto de um professor da USP, falando sobre os símbolos a serem desvendados no romance. Quer dizer, logo de cara já diz ao leitor de que forma ele deve interpretar o texto.

Li, inicialmente este texto “decifrador”, depois as questões de interpretação do texto, complexas demais. Lembrei das palavras do Rubem Alves, e pensei se, o autor, que escrevera o texto como folhetim, em um jornal diário do século XIX, sonhasse que pegariam seu texto para fazer tantos questionamentos, talvez não o tivesse escrito. Senti que a literatura precisa ser uma viagem sem relatório determinado, mas uma viagem de prazer. 

E tratei de ler o livro. Do jeito que sei ler literatura, embarcando na história, me emocionando com o sofrimento e as alegrias das personagens, torcendo por um final feliz, sarando as minhas próprias mazelas. E refleti muito sobre as palavras desse que cito pela terceira vez (Rubem Alves), a literatura não serve pra nada! E faz um bem enorme à alma. E sua utilidade está justamente nesta falta de utilidade, no prazer que ela nos causa, na imensa satisfação em um tempo fortuito, quase uma delinqüência, numa tarde em que se deveria estar corrigindo trabalhos acadêmicos, se foge ao prazer de algo inútil. 

Adorei o romance! Mesmo sabendo que é tudo mentira. Unicamente pelo bem que me causou ao espírito. Depois da leitura, escrevi este texto e voltei ao trabalho...

(escrito inicialmente em 9 de junho de 2006)

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