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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Chico Mendes

Capa do livro Chico Mendes
 No final dos anos 1980 boa parte do mundo conhecia a história do seringueiro de Xapuri, interior do Acre, confins do Norte do Brasil, que começou uma grande onda ambientalista e humanista, em defesa da Amazônia. A Amazônia que Chico Mendes defendia não era apenas feita de natureza, mas de pessoas. Nesse período lembro que a Revista Manchete, hoje extinta, trazia muitas matérias de capa sobre a devastação da floresta amazônica. Lembro das imagens de queimadas e dos grandes clarões no meio da mata.

Foi a partir dessas lembranças que me interessei por este livro quando vi na Saraiva, principalmente porque tinha como autor Márcio Souza. Logo no começo ele alerta seus leitores: "Esta é uma história triste com um pouco de doçura. É uma história brasileira, de gente brasileira, que se passa num distante rincão deste triste e doce país." Achei legal esse alerta, principalmente na expressão "história brasileira, de gente brasileira". Porque se trata de uma parte do país ainda hoje, pouco conhecida. É possível encontrar pessoas que não acreditam na existência do Acre.

A história contada por Márcio Souza já me era conhecida, pelo menos em essência, como a luta e o assassinato de Chico Mendes. Com a leitura fui refazendo um trajeto que também já fazia parte do meu imaginário desde a infância, pelas histórias de minha vó, que nasceu no Acre. Lugares como Xapurí, Rio Branco, Boca do Acre e Envira, já estavam nas minhas memórias. E a difícil vida dos seringueiros também, pois meus tios e avô trabalharam na extração da borracha.



Contra-capa do livro Chico Mendes

Mesmo sendo um livro para falar sobre a luta de Chico Mendes pela defesa da Amazônia, Márcio Souza cumpre o que promete no começo do livro, trata a história com doçura, mesmo sendo uma história triste. A foto da capa é de um testemunho absurdo. Data de 1987 e é creditada a Joel Rocha. E na contra-capa, um explicativo sobre a coleção A Luta de Cada Um, que "mostra brasileiros notáveis que corajosamente enfrentaram inúmeros desafios em busca de um mundo melhor".

"O mundo de Chico Mendes era o mundo da natureza. E o mundo da natureza era o mundo da Amazônia. O grande vale de florestas densas, de rios gigantescos que deságuam no rio-mar é a pátria dos ribeirinhos, dos índios e das gentes das cidades. Esse mundo teve na borracha a economia formadora de sua cultura. A borracha fez uma civilização no Norte do Brasil."


Chico Mendes com seu filho e sua esposa Ilzamar, na janela de sua casa em Xapuri, Acre, 1988, fotografia de Homero Sérgio, Filha Imagem. Página 48 do livro.
Junto à história de Chico Mendes, Márcio Souza abre-nos a curiosidade de saber mais sobre a esposa, Ilzamar e os filhos que ficaram órfãos no dia 22 de dezembro de 1988, quando o sindicalista foi alvejado com um tiro no peito.

Referência:
SOUZA, Márcio. Chico Mendes. São Paulo: Instituto Callis, 2005.

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