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sábado, 12 de janeiro de 2013

A respeito dos CARTÕES-POSTAIS

Governo do Estado do Amazonas
Secretaria de Cultura
Palacete Provincial
Manaus - Amazonas - Brasil
Acervo Secretaria de Cultura

"Uma pequena imagem da cidade impressa e difundida em cartões-postais pode construir múltiplas cidades e sugerir espaços e tempos diferenciados. O contato com uma dessas imagens, apresentadas no formato de dez por quinze centímetros, pode resgatar referências capazes de reconstituir aspectos reais da cidade retratada, assim como pode estimular o imaginário a complementar os espaços e as situações urbanas, com elementos que só existirão na imaginação de quem os pensou.

A interpretação dos elementos que compõem uma imagem não se restringirá ao reconhecimento dos elementos que integram a composição, mas encontra-se sujeito a um processo mais complexo, envolvendo o repertório de informações e de imagens acumuladas no conhecimento e mantidas pela memória do leitor.

Como elementos da comunicação, as imagens são constituídas por representações contidas em um repertório de informações. Sua interpretação exige o domínio de um código, e a eficácia de sua decodificação dependerá do nível de informação do leitor. Certamente teremos diferentes níveis de leitura e, ao contrário do que possa parecer, o domínio desse código não reduzirá a capacidade criadora da leitura.

Além das experiências ditas objetivas e concretas, como o contato com a cidade real ou as informações obtidas sobre sua história e o significado de seus elementos, a leitura das imagens pode ser orientada por muitos outros elementos. Dentre eles destacamos o relevante papel do imaginário, cujo repertório se constrói a partir das mais diversas fontes: das referências fixadas através dos contos infantis, da literatura, do cinema, do noticiário e das conversas do cotidiano, entre outros.

Aparentemente, a leitura de uma imagem impressa poderia constituir apenas em mais um problema para as Ciências Sociais ou para as Ciências da Comunicação, não um problema para a História. Contudo, identifica-se um cartão-postal como um documento histórico impregnado das marcas de seu tempo, pelos traços que evidenciam a época e os costumes da cidade representada e por conter um universo amplo de informações.

Da escolha do ângulo registrado pelo fotógrafo ao destinatário que recebe o cartão, percorre-se um longo trajeto de escolhas e exclusões. A circulação desse produto da indústria cultural envolve tecnologia, mercadologia, relações humanas e comunicações. Cada passo desempenha uma função determinante no processo: a escolha das técnicas de reprodução, os textos escritos no verso do cartão, os selos e os carimbos que podem determinar o trajeto geográfico e o momento histórico."

Otoni Mesquita, La Belle Vitrine Manaus - entre dois tempos (1890-1900). Manaus: Editora da Universidade Federal do Amazonas, 2009, pág. 21.

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