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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

A medida do azul, poema de Ernesto Penafort

Praça do Congresso, Manaus-AM, numa tarde azul de janeiro de 2013.


A MEDIDA DO AZUL


A medida do azul é o estender-se
do olhar por sobre os seres. Esse arguto
perceber que se tem de não mover-se
o objeto - já por ser absoluto.

A medida do azul é ver um luto
contido em toda flor e o abster-se
cada qual de assumir seu tom enxuto
e noutro que o não seu absorver-se.

A medida do azul, pelo contrário,
não é ver no horizonte o fim do olhar,
mas o ter desta vida aonde chegar,
pois ali tem o mundo o seu ovário:

e o retorno acontece, sempre estável,
eis que o azul é o início do infindável.



"Ernesto da Silva Penafort nasceu em Manaus, no dia 27 de março de 1936. Morreu na mesma cidade em 3 de junho de 1992. Na década de 60, estudou Ciências Sociais na Universidade do Brasil, abandonando o curso devido ao clima político vivido pelo país. Formou-se em Direito pela Universidade Federal do Amazonas. Foi membro do Clube da Madrugada e um de seus presidentes. Obra poética: Azul Geral, 1973, A Medida do Azul, 1982, Os Limites do Azul, 1985, Do Verbo Azul, 1988."

Extraído do livro Poesia e Poetas do Amazonas, livro organizado por Tenório Telles e Marcos Frederico Krüger. Publicado pela Editora Valer em 2006. E adquirido na Livraria Valer em uma das boas promoções que aproveitei.


Capa do livro Poesia e Poetas do Amazonas



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