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domingo, 4 de agosto de 2013

Mudanças no Centro Histórico de Manaus preocupa os moradores

As modificações que vem ocorrendo nos espaços públicos do Centro Histórico de Manaus, tem levado as pessoas a se manifestar nas redes sociais, fazendo mobilizações e isso tem chamado a atenção da mídia também. Essa matéria é um dos registros dessa insatisfação com os rumos que se vem tomando para o Centro Histórico da cidade. 


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A transformação do Centro da cidade que preocupa os moradores

Modificações nas construção do Centro incoman os moradores quanto a perda da história da cidade - foto: Arquivo EM TEMPO/Raphael Alves
Modificações nas construção do Centro incoman os moradores quanto a perda da história da cidade - foto: Arquivo EM TEMPO/Raphael Alves
 
A substituição do patrimônio histórico em prol do progresso é acompanhada de perto pelos moradores da cidade. "É triste ver a transformação das casas comerciais próximas ao porto. Isso faz com que se acabe com as nossas referências", apontou o consultor Luciano Silva, 38, que lembra-se de acompanhar, quando criança, o pai na oficina da família, vizinha à Boate dos Ingleses, na travessa Vivaldo Lima, no Centro.

O historiador Gaitano Antonaccio também lamenta a transformação das construções antigas. "O (fim do) cine Polytheama e o cine Guarany foi um absurdo. Mesmo que se fizesse um banco tinha que conservar o estilo antigo. A gente lembra com muita saudade, esses casarões davam um tom romântico à cidade e não precisa depredar a frente do prédio. Tem recursos hoje para você conservar", afirma.

Para Antonaccio, a conservação dos prédios antigos é necessária para conhecer as origens de um povo, uma vez que eles contam a história da cidade. "O restauro é válido, porque conserva o patrimônio histórico de uma cidade. Agora, as reformas em que você desvincula do passado a fachada de uma casa pra modernizar ou até mesmo para ficar mais confortável, descaracteriza a história de uma cidade", ressaltou.

Manaus e São Paulo foram as duas capitais brasileiras que mais sofreram grande influência da art nouveau, trazida do berço Europa. Mas o que já simbolizou poder, hoje retrata a falta de zelo e de cuidado da sociedade pelo passado. Grande parte das casas têm sido abandonadas e corroídas pelo tempo, ou mesmo transformadas ao bel prazer dos proprietários.

Uma das saídas é captar auxílio de entidades de proteção ao patrimônio histórico, que oferecem programas que subsidiam o restauro de prédios antigos.
 
"Têm verbas específicas para tratar de patrimônio histórico em todo o mundo. Tem programa do governo federal, que só era preciso apresentar projeto e eles reconstruíam, mas ninguém se interessou. Muitas vezes, nesses prédios têm viúvas, pessoas sem muito recurso financeiro e o governo tem que olhar esse aspecto também. É preciso olhar para o aspecto urbanístico, patrimonial e social do prédio", defende.

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