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quinta-feira, 2 de maio de 2013

Para onde vão os objetos antigos?

Há alguns dias, enquanto acompanhava um amigo na compra de um aparelho de telefone à moda antiga (ou retrô), em uma loja de usados e coisas antigas, ficamos refletindo sobre o paradeiro dos objetos. A loja vendia peças e objetos antigos, mas ainda em funcionamento, como aparelhos de telefone, caixas amplificadas, rádio gravador, fita K-7 e outras coisas. Era um amontoado de peças e objetos, um quase cemitério. Mas não era um cemitério porque as coisas não estavam "mortas" elas apenas tinham sido descartadas, trocadas por outras coisas mais novas, com design mais atual. E ficamos pensando... nem sempre o que descartamos está sem utilidade. Às vezes a pressão pelo novo é que nos faz trocar de objetos, mesmo que eles ainda estejam funcionando. E quando trocamos, para onde eles vão?

Alguns vão direto para o lixo, outros ficam guardados no porão e outros vão para os antiquários, onde são elevados à condição de relíquias e ficam expostos com toda a sua importância de passado, aguardando um comprador que vai levá-lo para casa e colocá-lo em destaque diante de outros objetos. Ao ler essa matéria sobre o antiquário recém-inaugurado em Manaus, lembrei dessa conversa com meu amigo e da visita à loja. Na matéria, o responsável pelo antiquário fala que recolheu alguns objetos no lixo, ganhou outros e comprou alguns também. E de tanto acumular coisas, resolveu também se desfazer delas, montando um antiquário.

Achei interessante também quando, na matéria, ele cita a reação das pessoas diante dos objetos, atribuindo ao objeto a condição de portador de memória e de agente causador de ações e emoções nas pessoas. Do ponto de vista da Antropologia dos Objetos, como defende o antropólogo José Reginaldo Gonçalves, os objetos nos inventam à medida que entramos em contato com eles. Então, ao mesmo tempo em que inventamos os objetos eles também nos inventam. E é interessante pensar nessa relação quando estamos diante de um objeto antigo, que desconhecemos seu uso, a forma de manuseá-lo... ou mesmo quando estamos diante de um abjeto que nos remete à infância, como um ferro de passar roupa à carvão. Eu lembro desse tipo de ferro porque minha mãe usava em casa. Lembro que era um objeto pesado e que refletia o quanto era uma tarefa difícil passar roupa. Hoje existem os ferros elétricos, mais leves e até portáteis. Essa tarefa então não é mais tão pesada. Eu ainda vou comprar um ferro antigo desse, para deixar à mostra, algo como para pensar em "de onde viemos".

Estamos vivendo um momento de culto aos objetos de outros tempos, chamamos de vintage, de retrô. As decorações de interiores que estão estampadas em algumas revistas apontam para a harmonia entre objetos contemporâneos e um objeto antigo. Mesmo crescendo a produção de objetos novos, há os antiquários e feiras de antiquidades espalhadas pelas ruas de várias cidades (como sempre existiram). Em Manaus, uma cidade que tem uma relação controversa com coisas antigas, segundo a matéria agora há dois antiquários. Ainda não conheço nenhum, mas quero visitar, gosto desses lugares. Há também no Sebo O Alienígena, na rua Lima Bacury, atravessando a Praça da Polícia, além do acervo de livros, cds, posters, e dvds usados, também é possível encontrar discos de vinil e objetos de outras épocas. É um espaço retrô.

Fiquei pensando nos meus objetos antigos. Perdi muita coisa durante as mudanças que precisei fazer. Mudar de um lugar para o outro nos obriga a reorganizar as gavetas e separar o que ainda é útil e o que não é mais. O espaço para as coisas, em cada mudança, também determina o que pode ser guardado e o que não. Lembro que eu tinha uma máquina de datilografar portátil, Olivetti, que comprei quando da rescisão de contrato de uma empresa em que trabalhei. Com ela eu escrevi alguns trabalhos da escola, da faculdade e até da especialização, alguns poemas. Ela era ótima! Depois comprei uma máquina de datilografar elétrica, muito chique, mas que usei pouco. A bobina era cara, acabava rápido e era muito trabalhosa de manusear. Eu preferia trocar a bobina da Olivetti portátil.   Mas foram aparecendo outras máquinas mais modernas e que ofereciam mais rapidez nos resultados, não resisti. Na minha primeira mudança, não levei nenhuma das duas porque já tinha um computador (agora estou escrevendo este texto em um notebook), e minha mãe deu pra alguém minhas duas máquinas de datilografar. Essa história da Olivetti já tem uns 20 anos. Outro dia, eu tentava explicar para a minha sobrinha de 11 anos, como funcionava uma máquina de datilografar, que vimos em um filme. Eu disse que as letras apareciam no papel enquanto datilografávamos e ela comentou: "Ah, então era um computador e uma impressora ao mesmo tempo". Hoje eu fico pensando que seria ótimo se eu tivesse guardado minha Olivetti! Ela ainda funcionava.

Máquina de escrever portátil Olivetti.
Fonte: Google.



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01 de maio de 2013 - atualizado as 14:03
Variedades
Amazonas

Mania de colecionador: DJ inaugura antiquário em Manaus

Recém-inaugurado, o "Refúgio, Antiquário & Presentes" reúne peças como discos de vinil, vitrolas e até um um farol de bonde.

 Evaldo Ferreira - Jornal do Commercio
o “Refúgio” guarda algumas preciosidades, dentre elas, coleção de rádios, televisores, vinis, telefones e personagens de história em quadrinhos. Foto: Walter Mendes/Jornal do Commercio
o “Refúgio” guarda algumas preciosidades, dentre elas, coleção de rádios, televisores, vinis, telefones                                              e personagens de história em quadrinhos. Foto: Walter Mendes/Jornal do Commercio
MANAUS - Há cerca de dez anos, o DJ Nilson Barbosa começou a colecionar objetos, principalmente os antigos e as miniaturas de super-heróis. Há pouco mais de um mês, ele observou que havia chegado a hora de dar um jeito na situação. A solução encontrada era de abrir uma loja, mais especificamente um antiquário. “O colecionador precisa ter muito cuidado para não se transformar num acumulador. Então, resolvi abrir o “Refúgio, Antiquário & Presentes”, onde vendo o excesso e só fico somente com o que realmente me interessa como colecionador”, ensinou.
Nilson tomou como exemplo o primeiro e único antiquário de Manaus, o “Império das Antiguidades”, do qual é amigo dos donos, e inaugurou o “Refúgio” com cara de “gente grande”, apesar do espaço ainda pequeno, na Praça 14 de Janeiro. É difícil encontrar uma pessoa que, rapidamente não volte ao passado quando vê ou pega um objeto antigo, ou ache graça ao comparar como esses objetos eram e como ficaram com a evolução das inovações. Um exemplo clássico do novo que não agradou foi o CD. Não são poucos os amantes da boa música que preferem os discos de vinil (mesmo com os chiados).
A indústria fonográfica também não fica atrás nessa preferência. Os discos de vinil, em quase um século de fabricação, nunca foram pirateados. Se os aparelhos que tocam vinil voltassem a ser fabricados, certamente voltariam a fazer sucesso.
No “Refúgio” essa volta ao passado é inevitável, mas há opções mais ‘modernas’ também. “Tenho muitos jogos (games) da década de 1980. Foi nesse período que os games se tornaram portáteis e ‘todo mundo’ passou a ter um em casa. Então começaram a surgir os primeiros jogos, que hoje
são motivos de graça. Mas eu prefiro jogar estes”, disse. E lá você encontra o clássico dos clássicos, um Atari, lançado em 1983 no Brasil, pela Gradiente, reinando absoluto por quase dez anos.
Lixo que pode valer muito
Porém, quem quiser voltar há 50, 100 anos, o “Refúgio” guarda algumas preciosidades dignas de um antiquário. “O objeto mais antigo que eu tenho é um farol de bonde. Pelas minhas pesquisas na internet, descobri que deve ter pelo menos 100 anos e um dia fez parte de algum dos bondes que circularam por Manaus. Estava na casa de um amigo português, esquecido num canto. Comprei, restaurei e hoje está exposto na loja”, relata o colecionador.A coleção de rádios também é fascinante. “São todos valvulados”, explicou. Esse tipo de rádio existiu entre 1930 e 1960, aproximadamente, e demorava vários minutos, até que as válvulas esquentassem, para poder ‘falar’.
Outros objetos expostos são candieiros, muito utilizados em Manaus até o final da década de 1960, quando a energia elétrica na cidade era escassa, bem como os ferros de passar (pesadíssimos) esquentados à base de carvão, colocado em seu interior. Também era peça bastante comum nos lares manauaras. E as televisões P&B, as primeiras a surgirem em Manaus no início da década de 1970, com botões que faziam ‘tec-tec-tec’ para mudar de canal? Já os aparelhos de telefone são da década de 1930 até 1980.
Os mais antigos eram privilégio dos ‘endinheirados’ da cidade. “Eu garimpo essas peças, muitas eu compro, outras eu ganho e até no lixo encontro verdadeiras preciosidades  Como diz o ditado: o lixo de uns pode ser o tesouro de outros. Muitas pessoas jogam fora objetos velhos que têm em casa e nem imaginam que eles podem valer um bom dinheiro”, alertou.
Hoje, um dos maiores e mais vistosos objetos do “Refúgio” é uma cadeira de barbeiros Ferrante, fábrica paulista existente há mais de 80 anos. A cadeira, com certeza, é bem antiga. “Minha mais nova aquisição é uma vitrola (aparelho pioneiro para tocar discos de vinil no final do século 19), mas amanhã, não sei qual raridade estará exposta na minha loja”, riu.
Refúgio Antiquário & Presentes
Onde? Avenida Duque de Caxias, 2186 (próximo ao 1º DP)
Informações: (92) 9302-1251

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