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terça-feira, 12 de março de 2013

12 de março - Dia do Bibliotecário


"São assim as velhas bibliotecas, mesmo em países tão jovens como o nosso. Aqui bem perto, no centro do Rio, também temos lugares antigos que parecem santuários. A Biblioteca Nacional, por exemplo. Estive nela há pouco tempo, por puro acaso. Precisava tratar de um registro de autoria e achei que lá fosse o lugar para fazer isso. Há muito tempo não detinha o olhar no edifício austero, plantado no coração da Cinelândia, que andava envolta em véus, para o trabalho de restauração. Como estava apressada, subi a escadaria de vista baixa, passei pelos andaimes que contornavam a porta principal e entrei. Mas, assim que pisei no saguão, olhei em torno - e pronto, deu-se o encantamento.

As paredes de mármore, as arcadas, o tapete vermelho da escadaria interna, os gradis trabalhados, os lustres, apliques, estátuas, tudo pareceu girar, envolto em luz. Ergui o olhar e a impressão cresceu, porque acima de mim se projetavam os três andares em torno do saguão, com seus balaústres banhados pela luminosidade que se despeja através dos citrais da claraboia.

No balcão de informação, soube que não podia fazer o registro ali. Mas achei que não custava nada dar uma subida e espiar um pouco mais. Fui até o setor de obras raras,cujas estantes envidraçadas me tinham ficado na memória. O lugar é realmente uma beleza, com teto de sancas esculpidas e chão de parquê, tudo também envolto na luz filtrada dos vitrais. Estava cheio de gente nas mesas. O silêncio era total. Como um templo, pensei. A comparação era inevitável." (páginas 48 e 49)

Uma biblioteca nos causa essas sensações maravilhosas! Quando estive na Biblioteca Nacional também foi uma experiência encantadora! E eu segui um grupo de visitantes, guiados por uma moça que nos apresentou os espaços e contou um pouco da história da Biblioteca. Também quando estive na Biblioteca Pública do Amazonas, depois do longo período de restauração, deixei minhas impressões registradas em texto.

E essa autora, Heloísa Seixas, descreve esses momentos de fascinação de uma forma mágica! Esse livro foi uma boa descoberta! Aquelas coisas gostosas que a gente encontra quando menos espera. Vou escrever sobre ele em outro momento. Agora, citei essa passagem das bibliotecas para lembrar que esse espaço tão encantador, tão mágico, tão importante para a memória, a cultura e a história de um povo, não existe sozinho. É preciso que as pessoas o reconheçam e saibam da sua importância e se maravilhem com ele. É preciso que tenha mais que um prédio e um grande acervo. É preciso que tenha profissionais que fazem essa mediação do conhecimento. Às vezes eles parecem invisíveis, dentro do suntuoso templo, entre os livros. Mas estão lá. Alguns assumem uma missão de eternos guardiões. Outros se assumem mediadores e incentivadores de descobertas. Sabem, código por código, letra por letra, onde encontrar cada obra. Um universo que desconhecemos. Sabem que a leitura pode mudar as pessoas e estas podem mudar o mundo.

Aos bibliotecários, a minha homenagem neste dia especial: 12 de março é dia do profissional de biblioteconomia. Para que tenhamos um país melhor, precisamos de muitas bibliotecas. E para cada uma delas, profissionais para gerenciá-las e torná-las esse ambiente mágico que a Heloísa Seixas nos descreveu.

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