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quinta-feira, 21 de março de 2013

Entrevista no Jornal do Commercio sobre o livro "Monumentos Públicos do Centro Histórico de Manaus"

A autora durante o lançamento do livro no II Congresso de Design da Fucapi, em 7 de março de 2013.
Foto: Franciane Falcão
No dia 21 de março, o Jornal do Commercio, de Manaus, publicou uma entrevista sobre a pesquisa e o livro "Monumentos Públicos do Centro Histórico de Manaus". A entrevista foi concedida ao jornalista Evaldo Ferreira, que enviou as perguntas que foram respondidas por e-mail. Abaixo, segue na íntegra o texto da entrevista.



1. Por que você resolveu pesquisar esses monumentos?
A pesquisa começou como projeto de iniciação científica, orientado pela professora Luciane Viana Barros Páscoa, durante a graduação em Educação Artística na UFAM, no ano de 1997. A professora Luciane Páscoa já havia participado de outro projeto semelhante, então, escreveu o projeto e eu fui convidada para participar como pesquisadora bolsista. Concluído o projeto, que teve a duração de um ano, continuei com a pesquisa sobre os monumentos na Especialização e depois no Mestrado. Hoje continuo a pesquisar sobre Patrimônio em Manaus, na minha tese de doutorado.

2. Onde conseguiu as informações?
A busca de informações aconteceu primeiramente nas próprias peças. As placas de identificação, a assinatura do autor, foram anotadas bem como a descrição da peça com as medidas e o material usado na sua fabricação. No segudo momento, a pesquisa foi feita em livros sobre a história da cidade, como o de Otono Mesquita (Manaus: História e Arquitetura); depois a maior parte das informações foi obtida em periódicos e fontes primárias. As fontes primárias foram os relatórios de obras públicas do final do século XIX e início do século XX, disponíveis no Arquivo Público. E os periódicos, especialmente da primeira década do século XX, foram pesquisados na Biblioteca Pública. Também algumas entrevistas foram feitas.

3. Qual foi a informação mais curiosa que descobriu?
De toda a pesquisa foram muitas coisas “curiosas” e instigantes. Descobrir que as peças podem dizer de onde vem foi algo incrível. Porque passamos pelas obras e não olhamos com calma, estamos sempre correndo. Pesquisar nos Livros de Ofícios de Obras Públicas também foi incrível. Manusear documentos manuscritos de 1883, por exemplo, é realmente uma viagem no tempo. Uma das coisas talvez mais curiosas foi descobrir, nestes documentos, que os urubus eram protegidos por lei, porque eles faziam a limpeza da cidade. Outra coisa foi sobre a profissão do acendedor de lampiões, que só não fazia o seu trabalho quando era noite de lua cheia e a cidade recebia essa luz natural. Nessa viagem é interessante pensar como a cidade vai sendo modificada à medida que as obras começam a ser colocadas nos lugares públicos e a importância que estes tinham para a vida da cidade. E o que se pretendia com tudo isso. Só essas reflexões já valem uma pesquisa.

4. Você pesquisou 76 peças. Acha que conseguiu abranger todas as de Manaus?
A pesquisa foi restrita ao espaço do Centro Histórico, da Leonardo Malcher até a orla, com os limites pela Sete de Setembro e Joaquim Nabuco. E mesmo dentro deste trecho percebi depois da pesquisa outras peças que não entraram na lista e que estão em fachadas de prédios, por exemplo. Estas ficam para a segunda edição do livro, revista e ampliada. A cidade de Manaus tem outras praças fora do Centro Histórico que possuem obras, como a praça do Adrianópolis; o Boulevard. Na época da pesquisa o Parque Jefferson Peres ainda não existia, por isso também as obras que lá estão, não entraram na lista.

5. E as que sumiram com o tempo?
Algumas obras foram removidas do lugar e outras substituídas. As duas esculturas que ficavam na Praça da Saudade (o Homem Moderno e o Homem Pré-Histórico) foram retiradas durante a revitalização da praça. Ainda não sei onde elas se encontram e se voltarão para algum outro lugar público. O busto do Dom Bosco, na praça Dom Bosco em frente ao Colégio Bom Bosco, foi substituído por uma escultura do padroeiro da escola. O busto do Eduardo Ribeiro que ficava na Praça do Congresso foi substituído por outro busto. Estas três peças (Homem Pré-Histórico, Homem Moderno e o busto do Eduardo Ribeiro) foram feitas pelo mesmo escultor, Geraldo Florêncio de Carvalho, que faleceu recentemente em Manaus (no mês de fevereiro, segundo postagens nas redes sociais).

6. Na sua opinião, qual seria a mais rara de todas?
Penso que, de uma forma geral, todas são raras porque são únicas na cidade. Mesmo existindo peças iguais em outros lugares do mundo, em Manaus nós só temos essas e são poucas. Cada uma, com sua história, fala da sua importância. A diferença é que algumas são mais vistas e apreciadas que outras. Algumas estão em lugares de mais destaque que outras. Eu tenho uma predileção especial pela “Donzela Desnuda”, figura em bronze que fica nos jardins frontais do Palácio Rio Negro e que está na capa do livro. Não encontrei informações sobre ela. Essa peça continua um mistério para mim. E me conforta saber que ela continua lá.

7. Hoje, parece que as pessoas não dão mais muita atenção em fazer novos monumentos. É certo isso?
Vivemos em outro momento, onde as placas comemorativas substituíram a necessidade de obras artísticas. A homenagem a personalidades se resume a substituição de nomes de ruas. Alguns “monumentos” em concreto foram colocados na cidade, mas isso não causou uma apreciação estética, ou ainda, causou um estranhamento (exemplo do “monumento” na Avenida Brasil, sentido Ponte Rio Negro). A Ponte Rio Negro constitui hoje nosso mais novo monumento. 

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