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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

O objeto e o prazer estético

Cadeira Jacobsen - Formiga
Fonte: http://cadeiraseciabh.wordpress.com/tag/acrilico/

A cadeira é um objeto fascinante, repleto de simbologia e como todo objeto, do ponto de vista da antropologia dos objetos, imprime em nós algumas atitudes e comportamentos, como o modo de sentar. Quem produz um objeto desses, no caso o designer, pensa nessas possibilidades e pensa na estética do objeto, ao escolher a forma, material e cores. A cadeira acima, por exemplo, faz parte do mostruário do Cadeiras e Cia e acompanha a seguinte descrição:

Cadeira Jacobsen – Formiga
Arne Jacobsen (1902 – 1971) foi arquiteto e designer e o exemplo do estilo moderno dinamarquês. Além de sua obra arquitetônica, ele criou um grande número de cadeiras e mobiliário originais. Recebeu vários prêmios internacionais por suas criações. Muitas de suas obras se tornaram clássicos do design moderno, como a cadeira Ant (formiga) de 1952 e a Poltrona The Egg, e estão expostos em galerias de todo o mundo. Assento em acrílico 12mm. Base tubular em aço cromado polido.


Esses dias me deparei com um texto da Cristina Costa, no livro Questões de Arte: o belo, a percepção e o fazer artístico. A autora trata desses temas a partir do ponto de vista de uma sociologia da arte. No capítulo 2, sobre O prazer do belo, ela faz uma viagem que bem poderia ser feita nas aulas de Estética para um curso de Design. Ela diz que: "O prazer que a arte desperta vem da forma das coisas, do som, do colorido, do ritmo, da maneira como nós percebemos essas coisas". E a viagem é a seguinte:

"Imaginemos o seguinte: você vê uma cadeira em uma loja. Acha que ela é leve, fácil de carregar, bem-feita e de preço acessível. Mas, além de tudo isso, você a acha bela. Quando a olha, consegue distinguir a sua forma interessante e peculiar. A sua cor clara, por exemplo, desperta em você uma sensação de leveza que combina com as linhas também leves da cadeira. Nota ainda que a forma das pernas é harmoniosa e permite uma movimentação livre por parte de quem se senta, e os braços parecem convidar o usuário a se apoiar. Você tem a sensação de que quem a concebeu entendia do corpo humano e de sua necessidade de conforto.

Todas essas impressões agradáveis, cheias de significados sugeridos pela forma, cor, textura e mesmo pelo conjunto como um todo, constituem o prazer do belo. Você facilmente compra a cadeira e sente prazer quando a olha, em sua casa, mesmo quando não está pensando sequer em sentar nela. Gosta tanto dela que a deixa em lugar bem visível, porque aprecia sua concepção, suas linhas, sua forma. Esse prazer é o prazer típico da arte. Chamam de prazer estético aquele que, resultando de sua composição e harmonia, é apreciado através da contemplação ou fruição."

O texto desta autora, além da Estética, também nos leva às disciplinas de Ergonomia, Semiótica, História da Arte e História do Mobiliário. Um conjunto de saberes para que o profissional adquira essa percepção para a produção de objetos com qualidade técnica e ergonômica, mas também com efeitos estéticos e contextualizados culturalmente. O que dá sentido ao mundo é a simbologia que reconhecemos nele. Os objetos são mediadores desse sentido simbólico.

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Referência: COSTA, Cristina. Questões de Arte: o belo, a percepção estética e o fazer artístico. São Paulo: Editora Moderna, 2004.
Obs.: Este livro foi adotado pelo Governo do Estado (Eduardo Braga), para a disciplina Ensino das Artes, 1ª Série do Ensino Médio e foi distribuído gratuitamente para professores e alunos.

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