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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

A BIBLIOTECA DE PORTAS ABERTAS

Pessoas passam surpresas com a Biblioteca aberta

A Biblioteca Pública do Amazonas abriu suas portas na quinta-feira, dia 31 de janeiro de 2013, sem toque de caixa, sem confetes, sem imprensa, sem salgadinho, sem guaraná. Apenas abriu suas portas. Era o que muita gente estava esperando, sim! Mas não desse jeito tão "simples"! Esperávamos uma festa! Um ritual para abrir as portas da Biblioteca, por tanto tempo fechadas. O ritual é importante! Principalmente as aberturas! As falas das personalidades... os agradecimentos... as homenagens... o primeiro momento de entrar no espaço... as primeiras fotos oficiais... a emoção de cortar a fita... os aplausos! E a Biblioteca não teve esse momento. Ela simplesmente abriu as portas e começou a funcionar. Quem estava na hora da abertura? Quem abriu a porta naquele dia? A que horas? Quem foram as primeiras pessoas a entrar no prédio?  Como se sentiram? Quem tirou a primeira foto? Quais foram as primeiras palavras? Qual a emoção desse momento? Quem pode nos dizer?

Hoje, 1º de fevereiro de 2013, o dia seguinte à inauguração, as pessoas ainda passavam assustadas pela frente do prédio pensando alto: "Já está funcionando? Já abriu? Quando?". E o olhar rápido para a porta aberta na intenção de confirmar a surpresa! "Sim, está funcionando!" Foram os comentários que percebi durante o tempo que fiquei parada na porta da Biblioteca, com aquela sensação da Clarice Lispector de Felicidade Clandestina. Queria entrar, mas queria aguardar um pouco mais e estender aquela emoção. Fazendo o meu próprio ritual de abertura. Fiquei ouvindo e vendo as pessoas entrarem na Biblioteca ou simplesmente passarem pela frente. Fiquei olhando a calçada desocupada, depois da retirada do tapume, e o espaço que se ganhou para caminhar.

Quando me senti preparada para entrar, entrei.  Deixei para trás a rua, as conversas dos passantes, e a explicação do segurança sobre porque todos os seguranças estavam fazendo greve naquele dia deixando o Centro da cidade tumultuado às 10h da manhã. Quando entrei na fila, eu nem sabia exatamente para que era aquela fila, mas entrei. Descobri depois que era para fazer o cadastro. Fiquei lá, observando as pessoas. Quem vinha pedir informação, quem chegava direto para a fila, quem ficava na porta só para passar a chuva, quem continuava olhando assustado do lado de fora, os funcionários atentos do lado de dentro e algumas pessoas que já começavam a sair da sua primeira visita à Biblioteca.

Quando cheguei no balcão para pedir informação e fazer o cadastro, descobri que já podia fazer ali a carteirinha e começar a consultar o acervo. Mas eu só queria ir até o acervo de periódicos para tirar dúvidas. Peguei o material de divulgação da Biblioteca e folheei tudo. Material de boa qualidade, com a planta baixa do prédio e informações históricas e sobre o acervo. Fui guardar meu material porque não é possível subir com bolsas. Fiquei com medo de perder a chave do armário, porque não tinha nenhum tipo de chaveiro, era apenas a chave cinza e fria. Levei uma caneta, um bloquinho de anotações e a chave. Passei pela recepção e comecei a subir as escadas. Subi devagar para sentir cada degrau, meio boba, sorrindo com meus botões. Nem olhei para baixo. Quando cheguei ao final da escada, dei um giro para me sentir no ambiente, olhei a pintura monumental e tentei me localizar para descobrir qual a sala em que deveriam estar os periódicos. Abri uma porta.

A primeira impressão é ainda de estranhamento, que foi quebrada pela figura simpática e conhecida do Sr. Wilson, o responsável pelos periódicos da Biblioteca. Um sorriso é capaz de romper o estranhamento e transformar um espaço. Conversamos um pouco, ele me reconheceu. Tirei minhas dúvidas e confirmei o início de uma nova pesquisa. Saí feliz daquela sala, porque já me sentia à vontade ali. Fui visitar a sala de literatura. A porta estava fechada e com uma chave do lado de fora. Eu não estava conseguindo abrir até que veio um funcionário e me ajudou. Entrei e fui recebida por duas moças simpáticas. Perguntei se ainda tinham o acervo de peças do Márcio Souza e elas me indicaram a prateleira. Olhei, encontrei, olhei mais, anotei, continuei olhando, caminhei entre as prateleiras tentando registrar tudo. Saí.

Fotografei a Biblioteca pelo lado de fora, tentando pegar o prédio inteiro. Fotografei todas as placas e fiz minha foto com a carteirinha. Esse foi outro momento emocionante que merece um post separado. E foi assim, minha primeira visita à Biblioteca Pública depois da sua abertura, um ritual particular.

Placa com os horários de funcionamento







Placa indicando que foi encontrado material arqueológico pela equipe de restauro e que este está no  Palacete Provincial.



Material gráfico

Fachada da Biblioteca Pública do Amazonas com as bandeiras do Brasil e do Amazonas

2 comentários:

  1. Amei o Post Evany!
    Fiquei até emocionada! Saí de casa hoje com a camisa do Abre Biblioteca com a intensão de dar uma passada por lá, não consegui, fiquei com o coração apertado de saudades mais ainda... aliviei um pouco lendo seu post, dá pra ver tudo através da sua descrição, mas preciso matar essa saudade!

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  2. Cara Evany,

    Li todo seu post! Muito legal! Você descreve um momento precioso!

    É a concretização de um sonho, um sonho pra lá de bonito!

    Creio que muitos amazonenses, como nós, voltarão a poder dispor das oportunidades que tivemos quando a Biblioteca influenciou nossos caminhos no campo do conhecimento.

    Agora é aproveitar cada momento como a menina da "Felicidade Clandestina", da Clarice Lispector!

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