Páginas

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

De passagem por São Paulo - Espaços públicos


Vista do 17º andar de um hotel próximo à Praça da República, na Consolação em São Paulo.
 Esta é uma imagem que se alia com o que se ouve de São Paulo: uma selva de pedra. Quase não se vê as ruas. É como se os prédios brotassem tomando todo o espaço. As cores... a monotonia do cinza. Acima dos prédios o azul do céu parece ter medo de se impor. Uma névoa constante faz a ligação entre o concreto e o fluido do ar. São Paulo vista de cima não tem poesia.


São Paulo vista de baixo nos deixa pequenos ao caminhar. Causa deslumbramento! Um céu azul tranquiliza e emoldura prédios de estilos diferentes, tempos diferentes. As praças, necessárias áreas abertas, nos deixam respirar e libertam o olhar para a paisagem.


Estas praças, de sombra e vento geladinho nesta passagem de agosto, são espaços de tanta vida. Muita gente passa, muita gente para, muita gente senta, muita gente mora. Os prédios vistos de cima adquirem identidade vistos de baixo. Ao proporcionar sombra se tornam mais agradáveis para quem passa, alternando os espaços abertos de sol.


Muita gente trabalha nestas praças. Ao passar por estes espaços é possível encontrar pessoas de todas as idades, especialmente pessoas mais velhas, vendendo alguma coisa. Também é comum encontrar aglomerações para ver algum show dos artistas de rua.



Algumas ruas são assim tranquilas. As pessoas passam apressadas mas não tem som de multidão.



O espaço na frente do Teatro Municipal é gostoso de ficar. As árvores oferecem sombra e a grama ainda possibilita uma parada para sentar e descansar pernas e pés. Dá para fazer um lanche também. Vi duas moças com kit de manicure. Não sei se iam aproveitar e fazer as unhas ali ou se apenas pararam para fumar um cigarro.



A imponente Praça da Sé. As palmeiras delimitam ou tentam uma delimitação do espaço, uma imagem apoteótica, um caminho imperial. Pela manhã alternam-se luz e sombra nos passantes apressados. Aqui também tem gente que passa, que trabalha e mora na praça. E "quem vem de outro sonho feliz de cidade aprende depressa a chamar-te de realidade".




Foto: Sídney Silva
 Então é isso... Uma cidade vista do alto é só uma cidade vista do alto. A gente descobre a poesia da cidade caminhando por ela. E a poesia não está no todo. Se faz no detalhe.

Nenhum comentário:

Postar um comentário