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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

"Lugares que o dia não me deixa ver - 2ª edição" - Santa Casa de Misericórdia

O projeto "Lugares que o dia não me deixa ver" foi criado com o objetivo de chamar a atenção das pessoas para monumentos públicos do Centro Histórico de Manaus, que estão esquecidos pelo poder público e pela sociedade. A estratégia é iluminação artística e performances no entorno do monumento para que as pessoas se reencontrem com o espaço, com a cidade, com suas memórias.

A segunda edição do projeto, iniciado na primeira segunda-feira de setembro, que é coordenado por João Fernandes, da Companhia de Ideias, teve como alvo o prédio da Santa Casa de Misericórdia, fechado há anos e que vem se deteriorando em uma área de prédios que tem um tratamento de destaque no Centro Histórico. A Santa Casa foi ficando esquecida. O cinza do prédio ajuda a deixá-la mais invisível aos olhos e passos apressados.

Santa Casa de Misericórdia, rua 10 de julho, Centro Histórico de Manaus

Detalhe do muro da Santa Casa com vista para a igrejinha.

Detalhe da fachada iluminada.
"As cidades, pois, têm sexo, lugares proibidos ou permitidos que se transformam, lugares abandonados e recuperados, locais e momentos de terror, e tudo isso ocorre muito mais sob a forma de arte, aquela que está em movimento, do que sob a forma arquitetônica, que está mais estática." 

Santa Casa iluminada

Detalhe da janela. Aberta, é possível ver o lustre que resiste...

"O processo parece ao contrário. É a forma da arte, a percepção imaginária, que afeta a Arquitetura. Quer dizer que as formas de arte, aquelas inventadas pelos artistas, ou pelos cidadãos em função estética coletiva, podem ser úteis para estudar a cidade."

Detalhe da porta principal, com a iluminação e a exposição de fotografia.

Vista interna do salão principal da Santa Casa.

Busto do Coronel Leopoldo de Matos
 O busto do coronel Leopoldo de Matos foi colocado nos jardins frontais da Santa Casa de Misericórdia em 1929, como homenagem ao ex-provedor do hospital.

João Fernandes em entrevista para a TV A Crítica.

As luzes e a transformação da fachada.
"E dessa maneira a cidade muda, como muda a vida e seus pontos de vista urbanos se transformam sob os efeitos da imaginação e da vida diária. Assim como a cidade rompe as suas fronteiras e o urbano cresce sobre a cidade afetando-a de várias novas formas, com a arte se passa o mesmo e ela sai dos museus. Aparece recuperando uma função pública e política, projetando o seu que-fazer com o contato direto cidadão ao intervir na cidade a partir da arte."


A porta fechada e o colorido.
"Uma cidade é não só topografia, mas também utopias e devaneio ilusões. Uma cidade é lugar, aquele local privilegiado por um uso, mas também é lugar excluído, aquele local despojado de normalidade coletiva por um setor social. Uma cidade é dia, o que fazemos e percorremos. E é noite, o que percorremos dentro de certos cuidados ou certas emoções noturnas."


Momento de vida da Santa Casa de Misericórdia.

Toda cidade tem seus "lugares que o dia não deixa ver". A cidade de Manaus tem os seus e são muitos.

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Sobre o projeto:

Projeto "Lugares que o dia não me deixa ver" movimenta Centro - Jornal D 24 AM
Lugares que o dia não me deixa ver - Vídeo institucional

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Os textos destacados neste post são do livro Imaginários Urbanos, do antropólogo colombiano Armando Silva. Editora Perspectiva, 2001.




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