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sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

O Homem Bicentenário

Alguns filmes me emocionam no instante em que vejo... me fazem pensar e repensar minha própria vida. Alguns são instrumentos didáticos, outros inspiração para serem vistos sempre que a esperança e a sensibilidade precisarem ser alimentadas. O Homem Bicentenário é um desses filmes. Lançado em 1999 e passado várias vezes na tv aberta, sempre me deixa inquieta.

Como produção cinematográfica, não recebeu boas críticas. Foi indicado ao Oscar: melhor maquiagem e melhor roteiro adaptado. Além disso, Robim Willians recebeu indicação de pior ator no Framboesa de Ouro. Apesar e por conta disso, digo que a crítica não é tudo. E que há motivos para que determinados temas não sejam valorizados em determinados momentos.

Com as máquinas invadindo de forma invisível as nossas vidas, por vezes não sabemos quem comanda quem: se o homem comanda a máquina ou o contrário. Porque nossas ações também são determinadas pelo uso que fazemos da tecnologia que nos rodeia.

E o filme é bom para pensar essa relação homem/máquina. Como nos comportamos diante de um objeto, que mesmo sendo produzido em série, adquire uma individualidade a partir do uso que damos a ele. Mas isso é tema para outro texto. Agora quero tratar do humano, do que nos caracteriza como humanos e que o filme explora singelamente. Ao apresentar um robô tentando se transformar em humano, nos mostra características, ações, sensações e sentimentos que já são automáticos em nós, tanto que não percebemos sua importância, a não ser quando nos falta. E é essa uma das grandes lições que se pode tirar do filme.

As características do humano vão sendo apontadas porque são desejadas por Andrew Martin, o robô: sentimentos e pensamentos que podemos expressar na face; a liberdade que tanto perseguimos; um nome, que diga da nossa individualidade; a nossa necessidade de conversar; a capacidade de chorar; o fato de não termos prazo de validade definido; as mudanças que vão se operando em nós, física e emocionalmente; a capacidade de sentir o sabor dos alimentos, o cheiro das coisas; a capacidade de sentir prazer...

Nesse período de Natal, quando nos concentramos nos presentes e na decoração da casa e nos preparativos da ceia, uma outra energia convive com tudo o que é material: essa nossa capacidade de sentir prazer! É prazeroso abrir um presente. É prazeroso dar e receber um abraço. É prazeroso decorar a casa e ver uma mesa bem arrumada. É prazeroso saborear a ceia. É prazeroso ouvir músicas, e ver as luzes... É maravilhoso sentir prazer!

Em tempos de corrida por tudo, passamos de relance por nossa sensibilidade e esquecemos que somos humanos e vamos nos tornando máquina. No filme, a humana com quem Andrew casa, pede para ser desligada. Porque à medida que Andrew foi se tornando humano e foi se deteriorando, ela, usando a tecnologia para prolongar a vida, foi se tornando máquina. Mas é justamente ela, Portia, que diz a Andrew sobre nossa condição humana: "Existe uma ordem para as coisas. Os seres humanos são destinados a ficarem aqui por um tempo e depois morrem."

Não somos máquina, somos humanos! E viva o prazer que há em nós! E viva o prazer que podemos proporcionar e receber das pessoas com quem convivemos!

Feliz Sonhos!
Feliz Natal!
E que possamos sentir prazer naquilo que fazemos!

inté!


Frases de Andrew Martin – o robô
  • "Isto fica feliz em ser útil."
  • "É cruel que você tenha a capacidade de chorar e eu não."
  • "Todos os seres humanos de quem eu gosto se foram."
  • "Eu sou humano em parte."
  • "Eu prefiro morrer como um homem ao invés de viver como uma máquina."

Frases dos outros personagens:
  • "Você que pôs ideias na cabeça dele, deu inúmeros livros pra ele ler."
  • "Ele se tornou tão complexo quanto nós."
  • "Você quis a liberdade, tem que aceitar as consequências."
  • "São as nossas imperfeições que nos tornam únicos."
  • "Existe uma ordem para as coisas. Os seres humanos são destinados a ficarem aqui por um tempo e depois morrem."

2 comentários:

  1. É um dos poucos filmes em que vi uma infinidade de vesses e que ainda assisto com prazer.
    Sé a produção não foi das melhores , todo o contexto compensa.
    ótimo filme.

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    1. Sim, Mario Pereira!
      Um filme não é só técnica e produção... é antes uma boa história. E esse consegue nos tocar.

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