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sábado, 12 de outubro de 2013

Curiosidades sobre a "Série Vagalume"




Li essa postagem do blog HOMO LITERATUS hoje, no facebook de um amigo e imediatamente compartilhei na minha página, lembrando das minhas histórias com os livros da Série Vagalume. Foi com eles que comecei minha trajetória de leitora.

O primeiro livro que li, era dessa série, Tonico, de José Rezende Filho. Não lembro bem da história. Mas lembro que foi o primeiro livro que li inteiro, e foi por onde comecei a descobrir que as histórias que haviam dentro dos livros poderiam me levar para outros lugares. Esse livro eu ganhei da minha professora de Português da 5ª série  (hoje 6º ano), chamada Lucifátima. Eu havia recebido a média 9,5 no 2º bimestre e era dessa forma que ela costumava incentivar os alunos. Nesse ano eu ganhei outro livro no 3º bimestre, O Guarda-Noturno (não era da Série Vagalume) e no 4º bimestre, ganhei um relicário. Depois de ler Tonico, eu procurei a sequência da história e li o livro Tonico e Carniça, do mesmo autor, falando sobre a amizade entre dois garotos. Foi legal porque li em uma época em que era muito importante fazer parte de um grupo, ter amigos. Os livros iam me ajudando a compreender esse mundo que era novo: a adolescência.

O livro que mais gostei da coleção foi Meninos Sem Pátria, do Luiz Puntel. Não lembro exatamente em que momento li, mas acho que foi na 6ª série. Não foi pedido na escola, apenas eu comecei a ler os livros a partir de Tonico e não parei mais. E Meninos Sem Pátria falava de uma história de exílio. Na época eu não compreendia nada sobre ditadura militar, mas compreendi o quanto aqueles meninos sofreram por saírem do seu país. Acho que foi o primeiro livro que me fez chorar. O primeiro livro que embarquei mesmo na história e vivi cada emoção. Depois dele, a frase "Nunca chegamos a aprender tudo de nada. Até a morte continuamos aprendendo", passou a fazer parte do meu repertório de mensagens nos marcadores de livro e cartões que eu confeccionava. Li também outros livros do Luiz Puntel. Açúcar Amargo, um livro que falava sobre a vida dura das pessoas que trabalhavam em canaviais, também me emocionou muito.

Meu autor favorito era o Marocs Rey. Na época, li todos os livros dele da série: O Mistério do Cinco Estrelas, Um Cadáver Ouve Rádio, Sozinha no Mundo... E anotei na minha agenda o dia em que li no jornal sobre a sua morte. Chorei como se tivesse perdido alguém da família. As histórias dele eram sempre cheias de mistério, com um grupo de amigos inteligentes que desvendavam os crimes. Eu ficava tentando encontrar o culpado... mas confesso que nunca consegui. Sempre me surpreendia com o final. A cada livro eu começava pensando: agora vou acertar. E nada. Eu adorava ser surpreendida.

O livro mais recente que li da série foi O Feijão e o Sonho, de Orígenes Lessa. Lembro que quando eu lia os livros da Série Vagalume, eu achava que esse era chato, porque tinha muita descrição e poucos diálogos. E era um texto maior que os outros. Eu gostava do título, mas me parecia um livro de adulto. Sempre deixei para depois. Esse ano, mais de 20 anos depois (bem mais)... em uma das muitas organizações das estantes de livros, me deparei com ele e li. Nossa! Amei! Era esse o momento para lê-lo. Me emocionei com a história do casal, especialmente com os dramas do poeta. No final, não contive as lágrimas... e fiquei horas refletindo sobre o que nos move no mundo. Fiz várias comparações, inclusive com a história da cigarra e da formiga. É um livro para pensar na vida.

Meu sonho de consumo hoje (um deles) é comprar toda a coleção. Ainda tenho alguns. Teve um tempo que eu tinha todos os livros do Marcos Rey, mas fui emprestando e eles não voltaram. Depois, doei minha coleção para uma biblioteca. E agora, restam-me poucos. Mas ainda tenho o Meninos Sem Pátria. Acabei de olhar a última página. As lágrimas vieram. E tirei da estante A Ilha Perdida, da Maria José Dupré. Passei a vida toda vendo esse livro como o primeiro da lista da série, lendo comentários sobre ele, e vendo os números (a tiragem)... mas ainda não li. Quero ter todos na minha estante e poder dizer: Já li TODOS!!!

E quando li nessa postagem que alguns deles vão virar filme no próximo ano, uhuuu!!!! Fiquei muito feliz! Quero reler cada um antes de ir ao cinema. E depois... comprar os filmes para a minha coleção! Afinal de contas, minha trajetória de leitora começou com essas páginas. O mundo imenso parecia menos aterrorizante porque as histórias ajudavam a compreendê-lo. Agora a coleção será lançada em versão digital também. Que bom! Espero que novos leitores embarquem nas aventuras. Quanto a mim, quero mesmo a coleção impressa! Para abraçar o livro ao final de cada história!

Segue a postagem que deu origem a tantas boas lembranças... Que bom que no mundo existem muitos leitores... e escritores!!!


17 Curiosidades Sobre a Coleção Vaga-Lume
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Era início dos anos 70.
Um vaga-lume usando boina e tênis estampava todos os livros da série Vaga-Lume, da Editora Ática, que, por sua vez, estavam presentes nas estantes de todo o Brasil.
Luminoso – o nome do vaga-lume em questão – apresentava os enredos dos mais de 70 livros lançados pela editora, se utilizando de expressões como “tudo joinha?” e “supimpa!”.
A série Vaga-Lume foi (e ainda é) um estrondoso sucesso, sendo uma das principais responsáveis pela formação de dezenas de milhares de leitores Brasil afora.
Eu sou um deles, e você provavelmente também é.
Por isso, reuni aqui algumas curiosidades sobre esta coleção, que em 2013 comemora 41 aninhos de vida e pura vitalidade editorial.
1. A série Vaga-Lume foi lançada pela Editora Ática na virada de 1972 para 1973, e é composta de romances voltados ao público infantojuvenil.
"A Ilha Perdida", de Maria José Dupré
“A Ilha Perdida”, de Maria José Dupré
2. A editora não divulga números, mas estima-se que somente a obra A Ilha Perdida, de Maria José Dupré, já ultrapassou a marca de 2,2 milhões de exemplares vendidos.
3. A série ajudou, e muito, a fortalecer e consagrar a Editora Ática, que recentemente informou que pretende relançar a coleção em formato digital.
4. Um dos maiores sucessos da série, O Escaravelho do Diabo, de Lúcia Machado de Almeida (1910-2005), foi lançado primeiramente em 1956 como um folhetim da revista O Cruzeiro.
5. Inicialmente, a série se caracterizava pela presença de obras já consagradas, de autores idem. Já na segunda década após seu lançamento, tanto os textos quanto os autores passaram a ser inéditos.
6. Um destes autores inéditos era Marçal Aquino.
7. Quando foi convidado para escrever por Fernando Paixão, editor da série na época, Marçal era repórter do Jornal da Tarde e nunca havia escrito uma linha sequer para o público infantojuvenil.
"O escaravelho do diabo", de Lúcia Machado de Almeida
“O escaravelho do diabo”, de Lúcia Machado de Almeida
8. Em contrapartida, outro escritor da série, Marcelo Duarte, nunca publicou nenhum livro de ficção fora da coleção Vaga-Lume. O jornalista, escritor e dono da Editora Panda Books publicou seus cinco livros de ficção na série, e vendeu mais de 240 mil exemplares.
9. Em 1980, quando foi informado pelos editores responsáveis pela Coleção Vaga-Lume sobre a tiragem pretendida para seu livro, um atordoado escritor de pseudônimo Marcos Rey não acreditou. Os editores da Ática reiteraram: 120 mil exemplares.
10. Marcos Rey, pseudônimo de Edmundo Nonato, era nesta época um escritor já reconhecido de contos e romances adultos, porém estava acostumado com tiragens que não ultrapassavam três mil exemplares.
11. A aposta em Marcos Rey foi alta – e certeira. O Mistério do Cinco Estrelas, de 1981, vendeu mais de 2,5 milhões de exemplares. O autor escreveu o livro em dois meses.
12. Atualmente, porém, os mais de 15 livros lançados por Marcos Rey estão fora da coleção Vaga-Lume.
13. Um dos criadores da série, Jiro Takahashi, hoje editor do selo Prumo, da Editora Rocco, afirma que o sucesso da coleção se deu por conta de uma série de fatores, sendo o principal deles o baixo preço dos livros. Altas tiragens permitiam preços muito baixos, que por sua vez facilitavam a adoção das obras por escolas.
14. Outro ponto importante para a aceitação em sala de aula eram os encartes chamados Suplementos de Trabalho, que traziam atividades didáticas ligadas ao livro.
"O mistério do cinco estrelas", de Marcos Rey
“O mistério do cinco estrelas”, de Marcos Rey
15. Milton Rodrigues Alves, um dos ilustradores da série, conta que, para ilustrar O Caso da Borboleta Atíria, passou muitas e muitas horas em um Museu de Zoologia. “Não tínhamos internet, e a melhor maneira de saber a forma de um Dynastes Hercules era indo ao Museu”, conta Milton.
16. O Escaravelho do Diabo, de Lúcia Machado de Almeida, em breve sairá das estantes diretamente para as telas de cinema. A obra está em fase de pré-produção, e terá direção de Carlos Milani. O filme já tem até um site:www.oescaravelhododiabo.com.br
17. E O Escaravelho do Diabo não é o único. O Mistério do Cinco Estrelas (1981), O Rapto do Garoto de Ouro (1982) e Um Cadáver Ouve Rádio (1983), todos de Marcos Rey, tiveram seus direitos adquiridos pela produtora RT Features, e começam a ser filmados no final de 2013. A previsão de estreia é julho de 2014.
E para encerrar, diz aí, leitor: qual dos livros da série Vaga-Lume é o seu preferido?

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